A narrativa comum sobre os recentes ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã costuma ser reduzida a um maniqueísmo infantil: de um lado, o “imperialismo malvado” de Donald Trump; do outro, “vítimas inocentes”. No entanto, a realidade geopolítica de 2026 mostra que essa visão não é apenas simplista, mas desonesta com o próprio povo iraniano, que há meses clama pela queda de um regime que os asfixia.
A Estratégia de Precisão: Por que agora?
Diferente das guerras de ocupação do passado, a ofensiva atual, coordenada entre o Pentágono e o IDF (Forças de Defesa de Israel), focou na decapitação da infraestrutura de repressão e nuclear.
- Alvos Cirúrgicos: Os ataques de março de 2026 miraram especificamente instalações da Guarda Revolucionária (IRGC), sites de lançamento de drones e centros de comando e controle em Teerã.
- Baixas Civis vs. Militares: Relatórios do Institute for the Study of War indicam que a estratégia de “submissão estratégica” evitou áreas residenciais densas, focando em neutralizar a capacidade de retaliação do regime. Enquanto o governo iraniano tenta inflar números de civis, dados de inteligência internacional mostram que o grosso das baixas ocorreu entre a cúpula militar, incluindo a eliminação de figuras-chave do alto comando da IRGC.
O Regime por Dentro: Uma Máquina de Moer Gente
O argumento de que “atacar o Irã é atacar inocentes” ignora que o maior inimigo do povo iraniano é o seu próprio governo. O Irã que o mundo viu entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 foi um cenário de guerra civil interna:
- A Revolta do Rial: Após o colapso da moeda (o rial atingiu a marca de 1,4 milhão por dólar), o povo saiu às ruas em mais de 100 cidades. Não eram protestos contra o Ocidente, mas contra a fome e a corrupção teocrática.
- Massacre Silencioso: Antes de qualquer míssil americano cair, o regime de Ali Khamenei já havia assassinado entre 7.000 e 20.000 manifestantes (segundo dados da ONU e da HRANA) durante o apagão de internet de janeiro de 2026.
- O Grito de Liberdade: Em vídeos contrabandeados, iranianos foram vistos celebrando a destruição de bases da Basij (milícia estatal). Para quem vive sob a bota de um ditador que executa minorias e mulheres por “crimes de moralidade”, a intervenção estrangeira é vista, por muitos, como o único fator capaz de quebrar o impasse de força.
A “Burrice” Geopolítica Brasileira
Enquanto o povo em Teerã arrisca a vida para derrubar estátuas de ditadores, parte da opinião pública e da diplomacia brasileira insiste em uma defesa anacrônica do regime iraniano sob o pretexto de “soberania”.
- Turismo Ideológico: É irônico ver brasileiros, que muitas vezes mal conhecem a realidade de outros estados do próprio país, opinando com fervor sobre o Oriente Médio baseados em cartilhas de faculdade dos anos 70.
- Falso Humanismo: Defender o regime de Teerã em nome da “paz” é, na verdade, validar o carrasco. O apoio brasileiro a ditaduras teocráticas, sob o manto do antiamericanismo, ignora que as verdadeiras vítimas, as mulheres iranianas e os jovens estudantes, estão agradecendo pela fragilização do sistema que os tortura.
- Desconexão com a Realidade: A insistência do Itamaraty em “diálogo” com um regime que responde a protestos com munição real e enforcamentos em praça pública não é diplomacia, é cumplicidade ou ignorância deliberada.
Conclusão
O governo Trump pode ser movido por interesses próprios e uma agenda de “pressão máxima”, mas isso não torna o regime iraniano uma vítima. O Irã é uma potência agressora regional que gasta bilhões em proxies (Hamas, Hezbollah) enquanto seu povo passa fome.
O ataque de 2026 não foi contra o Irã, o país; foi contra o mecanismo de opressão que mantém os iranianos reféns. Quem no Brasil grita “fora EUA” sem mencionar as valas comuns cavadas por Khamenei em janeiro, não está defendendo a soberania, está defendendo a tirania.











