Brigitte Bardot, a lendária atriz francesa que se tornou um ícone global de estilo, beleza e um dos maiores símbolos sexuais do século XX, faleceu no domingo, aos 91 anos de idade. A notícia de seu falecimento foi confirmada pela Fundação Brigitte Bardot para a proteção dos animais, com a atriz a passar os seus últimos anos em sua residência no sul da França. Nascida em Paris em 1934, Bardot transcendeu o cinema para se tornar uma figura cultural de proporções épicas, redefinindo a feminilidade e a liberdade em uma era de mudanças sociais profundas. Sua trajetória, marcada por um estrelato meteórico e uma subsequente dedicação à causa animal, é tão complexa quanto fascinante, deixando um legado que continua a ser debatido e celebrado por sua audácia e impacto inegável na cultura popular mundial.
O Ascenso de um Ícone Global: De Atriz a Símbolo de Uma Geração
A Irreverência que Conquistou o Mundo e a Sétima Arte
O impacto de Brigitte Bardot no cenário cultural e cinematográfico é inegável. Sua carreira deslanchou em 1956 com o filme “Et Dieu… créa la femme” (E Deus… criou a mulher), dirigido por seu então marido, Roger Vadim. Este longa-metragem não apenas a catapultou para o estrelato internacional, mas também a transformou em um símbolo de sensualidade e liberdade para uma geração pós-guerra, desafiando as convenções morais da época com sua presença desinibida e sua beleza natural. A atuação de Bardot como a jovem Juliette Hardy, que vive em Saint-Tropez, capturou a imaginação do público e da crítica, consolidando sua imagem como a ‘sex kitten’ francesa.
Nos anos seguintes, Bardot estrelou em dezenas de filmes, trabalhando com alguns dos diretores mais renomados do cinema francês e europeu, incluindo Jean-Luc Godard em “Le Mépris” (O Desprezo, 1963), Louis Malle em “Viva Maria!” (1965) e Henri-Georges Clouzot em “La Vérité” (A Verdade, 1960). Sua versatilidade, embora por vezes subestimada pela ênfase em sua imagem, permitiu-lhe transitar entre comédias leves e dramas intensos, sempre imprimindo uma autenticidade e carisma próprios a seus personagens. Bardot não era apenas uma atriz; ela era um fenômeno, a personificação de uma nova feminilidade que influenciou moda, comportamento e arte em escala global.
Além de sua carreira cinematográfica, Bardot também deixou sua marca na música, gravando vários álbuns e singles que se tornaram sucessos, como “Harley Davidson” e duetos com Serge Gainsbourg. Seu estilo era em si uma declaração, popularizando o biquíni, o decote ombro a ombro (conhecido como “decote Bardot”) e o cabelo despenteado, um visual que se tornou sinônimo de elegância descomplicada e da ‘joie de vivre’ francesa. Ela foi uma força motriz na moda e um espelho para os desejos de libertação das mulheres em um mundo em rápida transformação, solidificando seu status como um ícone atemporal de glamour e rebeldia.
Uma Nova Vida: Ativismo Animal e Posições Controversas
Da Tela de Cinema para a Defesa dos Animais e o Debate Político
Em 1973, aos 39 anos e no auge de sua fama, Brigitte Bardot chocou o mundo ao anunciar sua aposentadoria do cinema. A decisão, motivada pelo cansaço da exposição pública e pela busca por um propósito mais profundo, marcou o início de uma nova e igualmente notável fase em sua vida: o ativismo pelos direitos dos animais. Dedicando-se integralmente à causa que abraçaria com fervor, Bardot fundou a Fundação Brigitte Bardot para a Proteção dos Animais em 1986, utilizando sua vasta fortuna e influência para combater o abuso e a exploração animal em diversas frentes.
Ao longo das décadas, a Fundação Brigitte Bardot se tornou uma voz proeminente na luta contra a caça de focas, o comércio de peles, as touradas, a experimentação animal e as condições precárias em fazendas industriais. Bardot investiu pessoalmente na compra e reabilitação de animais maltratados, transformando sua propriedade em La Madrague, Saint-Tropez, em um santuário. Sua paixão pelos animais era inquestionável e sua dedicação inabalável, angariando apoio significativo e colocando a questão dos direitos animais na agenda pública de uma forma que poucas celebridades haviam conseguido antes dela.
No entanto, a segunda metade da vida de Bardot também foi marcada por controvérsias significativas, especialmente em relação às suas posições políticas. Conhecida por suas opiniões de direita, ela frequentemente expressava visões críticas à imigração e ao islamismo na França, o que a levou a diversas acusações de incitação ao ódio racial e a condenações legais. Essas declarações, muitas vezes consideradas xenófobas e extremistas, criaram um contraste marcante com sua imagem de ícone liberal e livre-espírito do passado. A complexidade de seu legado reside exatamente nessa justaposição: a figura de beleza e libertação que inspirou milhões, transformando-se em uma ativista veemente, cujas convicções, embora apaixonadas, por vezes colidiam com os valores de tolerância e inclusão.
O Legado Duradouro e Contexto Conclusivo
A morte de Brigitte Bardot aos 91 anos encerra um capítulo de uma das vidas mais fascinantes e multifacetadas da história cultural moderna. Ela não foi apenas uma estrela de cinema; foi uma força da natureza que moldou a percepção da feminilidade, do glamour e da liberdade em meados do século XX. Seu impacto no cinema, na moda e na música permanece indelével, e sua imagem continua a ser um farol de uma era de revolução cultural e sensualidade descomplexada. Bardot deixa um vazio no mundo, mas também um vasto arquivo de filmes, canções e imagens que garantem sua imortalidade no panteão das grandes figuras públicas.
Seu legado é, contudo, inseparável de suas últimas décadas dedicadas à paixão pelos animais e às suas controversas posições políticas. A dedicação feroz à proteção animal, que consumiu grande parte de sua vida adulta, revela uma profunda compaixão e um compromisso inabalável com causas que considerava justas. Ao mesmo tempo, suas declarações sobre temas sociais e migratórios desafiaram a imagem pública de sua juventude, tornando-a uma figura polarizadora, mas jamais indiferente. Brigitte Bardot será lembrada tanto pela radiante estrela que revolucionou o cinema francês e a cultura global quanto pela ativista intransigente que, para o bem e para o mal, manteve-se fiel às suas convicções até o fim. Sua passagem marca o adeus a uma lenda, mas sua influência e o debate sobre sua complexa persona certamente continuarão a reverberar por muitas gerações.
Fonte: https://variety.com











