A Visão da Blizzard e a Reação da Comunidade
Contexto do Desarmamento e Ferramentas Nativas
O conceito de “desarmamento de add-ons” emergiu com a promessa de incorporar funcionalidades que anteriormente exigiam mods externos, diretamente no World of Warcraft. A iniciativa começou com assistências de rotação e expandiu-se nas fases Alpha e Beta de Midnight para incluir um gerenciador de recargas (cooldown manager), medidores de dano e outras melhorias. O objetivo principal da Blizzard é eliminar a necessidade de os jogadores baixarem programas externos para obter uma vantagem competitiva em masmorras, raides ou outros conteúdos. Contudo, é crucial notar que add-ons puramente cosméticos — como ferramentas de organização de itens ou comerciantes, suporte a missões e diversas personalizações visuais — não são alvo dessas restrições e continuarão a ser suportados.
Desafios e Ajustes em Andamento
Apesar da introdução de novas e excelentes ferramentas nativas, como assistências de rotação úteis e medidores de dano precisos, uma parcela da comunidade de jogadores hardcore manifesta descontentamento. A principal causa de frustração é a perda de funcionalidades de mods populares, como o WeakAuras, que permitia exibir gráficos e informações personalizadas em tempo real, essenciais para encontros de combate. A impossibilidade de add-ons acessarem informações de combate em tempo real levou à desativação de configurações de interface e ferramentas que jogadores usavam há anos, tornando a transição desafiadora.
Ion Hazzikostas reconheceu que o processo foi complexo e gerou controvérsia, mas reiterou a satisfação da equipe com o progresso. Ele explicou que a estratégia inicial foi lançar a versão mais restritiva possível das permissões da API de add-ons para garantir a eliminação de cálculos computacionais considerados problemáticos. Nos meses seguintes, a equipe colaborou intensamente com a comunidade de desenvolvedores de add-ons para restaurar funcionalidades que foram “danos colaterais”, como as de add-ons visuais como ElvUI, Console Port ou Bartender, que não ofereciam vantagem competitiva direta. Essa colaboração permitiu a criação de novos ganchos (API hooks) para que esses mods mantivessem a maior parte de sua funcionalidade benigna, assegurando uma experiência menos disruptiva para a maioria dos usuários que os utilizam para personalização visual.
Equilíbrio entre Competitividade e Experiência do Jogador
Métricas de Uso e o Campo de Jogo Equilibrado
Dados internos da Blizzard indicam que uma vasta maioria dos jogadores, entre 65% e 70%, utiliza pelo menos um add-on. O medidor de dano, por exemplo, sempre foi o add-on mais popular, o que explica sua priorização na implementação como recurso nativo. A restrição se concentra principalmente em suítes de ferramentas que aprimoram o combate e oferecem uma vantagem objetiva, buscando criar um campo de jogo mais nivelado. A filosofia da empresa é que os add-ons devem servir para personalizar a experiência individual do jogador, em vez de se tornarem ferramentas obrigatórias para o sucesso em conteúdos de alto nível, impostas por normas da comunidade.
A Transição e o Futuro da Customização
A decisão de implementar uma mudança abrupta, em vez de uma transição gradual, foi deliberada. Hazzikostas explicou que, se add-ons com “plena glória computacional” continuassem a existir enquanto ferramentas nativas eram desenvolvidas, a maioria dos jogadores persistiria no uso de mods poderosos. Isso forçaria a Blizzard a projetar encontros em torno da existência desses add-ons, perpetuando o ciclo. A transição foi planejada ao longo de um ano e meio, alinhada com o limite de uma expansão, para assegurar que a mudança fosse bem-sucedida.
A personalização estética da interface permanece um pilar fundamental da experiência de World of Warcraft, e a Blizzard continua a apoiar integralmente add-ons que modificam a aparência da UI, tamanhos, fontes e cores. A restrição incide apenas onde a lógica de combate impulsiona elementos visuais específicos, vinculados a informações de feitiços ou buffs para vantagem tática. Hazzikostas reconheceu a frustração de usuários que dependiam de add-ons multifuncionais como WeakAuras para assistência em combate e personalização visual. Embora a Blizzard não possa forçar desenvolvedores a manterem seus projetos, o ecossistema de add-ons está se adaptando, e novas soluções estão surgindo para preencher as lacunas.
Ademais, a equipe está atenta a melhorias na experiência do usuário, como a possibilidade de configurações de interface e qualidade de vida serem salvas em nível de conta, e não apenas por personagem. Isso resolveria a necessidade de configurar individualmente cada novo personagem para opções como “Saque Automático”, embora haja um desafio em equilibrar as preferências distintas entre, por exemplo, um personagem DPS e um curador.
Próximos Passos e a Resposta à Comunidade
O diretor de jogo destacou o compromisso com a melhoria contínua das ferramentas nativas. O gerenciador de recargas, por exemplo, está em um estado “sólido” para o lançamento, mas há planos para futuras personalizações, incluindo a adição de itens, berloques e poções à interface de monitoramento em 2026. Melhorias no sistema de filtragem de buffs e debuffs em quadros de grupo e raide também estão em andamento, visando reduzir a poluição visual Embora as ferramentas de medidores de dano nativas não ofereçam o mesmo nível de análise profunda que sites externos como Warcraft Logs, o objetivo é fornecer uma experiência equilibrada para a maioria dos jogadores, com a Blizzard aberta a expandir as funcionalidades com base no feedback.
Hazzikostas refutou a ideia de que o jogo continuará em fase beta após o lançamento de Midnight, afirmando que o feedback da fase beta foi crucial para moldar a experiência final. Contudo, a escuta ativa da comunidade prosseguirá, com atualizações esperadas em cada patch maior e menor. A Blizzard está particularmente interessada em evitar cenários onde líderes de raide exijam add-ons específicos para superar encontros, e estão dispostos a ajustar o design de encontros ou as APIs dos add-ons caso isso ocorra. Um exemplo citado foi a redesign de uma mecânica em um encontro de raide que poderia ser “solucionada” por add-ons, para torná-la mais reativa e menos preditiva.
A comunicação com a comunidade de desenvolvedores de add-ons teve seus percalços iniciais, mas a colaboração resultou em melhorias significativas na API, permitindo que muitos add-ons afetados fossem atualizados. Hazzikostas admitiu que a comunicação inicial da Blizzard poderia ter sido mais detalhada, especialmente no início das fases Alpha e Beta, para evitar mal-entendidos e a percepção de um “apocalipse de add-ons”. A empresa não pretende ser mais rigorosa no futuro; as regras atuais são vistas como uma base sólida, permitindo movimentos em direção a mais permissividade, com apenas correções pontuais para exploits. A principal motivação por trás do desarmamento não é uma possível versão para consoles, mas sim o desejo de tornar o jogo jogável “fora da caixa”, removendo barreiras de entrada e garantindo que ninguém se sinta obrigado a usar ferramentas de terceiros para desfrutar plenamente do conteúdo. Pequenas melhorias, como coordenadas no mapa, também estão no roteiro.
Fonte: https://www.ign.com











