O cineasta iraniano Ali Asgari tem dedicado sua carreira a dissecar as sutilezas das tensões cotidianas e as pressões burocráticas enfrentadas no Irã. Sua filmografia, que abrange desde curtas-metragens a longas como “Desaparecimento”, “Até Amanhã” e “Versos Terrestres”, demonstra uma consistência em abordar temas complexos com uma sensibilidade peculiar.
Seu mais recente trabalho, “Divina Comédia”, marca mais um passo nessa jornada. O filme, que já competiu no Festival de Veneza no início deste ano, agora se encontra em competição no Doha Film Festival, consolidando a reputação de Asgari como um dos cineastas mais proeminentes do Irã contemporâneo.
Em “Divina Comédia”, Asgari utiliza a sátira para expor as “regras bobas e estúpidas”, em suas próprias palavras, que permeiam a vida na sociedade iraniana. Ao evidenciar o absurdo de certas normas e regulamentos, o diretor busca provocar reflexão e questionamento sobre as estruturas de poder e as limitações impostas aos cidadãos.
A obra de Asgari, em geral, transcende a mera representação da realidade iraniana. Ele consegue criar narrativas que ressoam universalmente, abordando temas como a liberdade de expressão, a opressão e a busca por identidade em um mundo cada vez mais complexo e regulamentado. A escolha da sátira como ferramenta narrativa em “Divina Comédia” demonstra a coragem e a ousadia do cineasta em desafiar as normas estabelecidas e a censura, inerente ao cenário cinematográfico iraniano.
Com “Divina Comédia”, Ali Asgari reafirma seu compromisso com um cinema engajado, que busca provocar o debate e a reflexão sobre as questões que afetam a sociedade iraniana e o mundo. A participação do filme em festivais internacionais demonstra o reconhecimento da relevância de sua obra e a importância de dar voz a cineastas que, como Asgari, desafiam as barreiras da censura e buscam a liberdade de expressão por meio da arte.
Fonte: variety.com











