Musa impassível: a poeta francisca júlia, brecheret e um legado de beleza

Francisca Júlia da Silva, uma jovem poetisa de talento precoce, irrompeu no cenário literário paulistano no final do século XIX. Aos 14 anos, seus poemas já eram publicados em “O Estado de S. Paulo”, revelando uma sensibilidade que cativou a elite intelectual da época. Sua obra mais notável, “Musa Impassível”, exemplifica a busca parnasiana pela união entre beleza e perfeição técnica na poesia, evocando imagens clássicas e heroicas com rigor formal.

Apesar do sucesso e da admiração que despertava, a vida de Francisca Júlia tomou um rumo inesperado quando se apaixonou por um telegrafista. O casamento, em 1909, trouxe felicidade, mas a tragédia a alcançou em 1920 com a morte do marido, vítima de tuberculose. Desolada, a poetisa tirou a própria vida poucas horas após o enterro, sendo sepultada no Cemitério do Araçá, em São Paulo.

A morte prematura de Francisca Júlia comoveu seus admiradores, entre eles o deputado Freitas Vale, que articulou uma homenagem à poetisa. Com o apoio do então presidente de São Paulo, Washington Luís, encomendou-se ao escultor Victor Brecheret, residente em Paris, a criação de um mausoléu. Brecheret, inspirado pela obra de Francisca Júlia, aceitou o desafio e esculpiu, em seu estúdio parisiense, a imponente escultura “Musa Impassível”.

A obra, com 2,80 metros de altura, foi instalada no Cemitério do Araçá dois anos e meio após a morte da poetisa, tornando-se um marco de beleza e solenidade. A escultura permaneceu no local por décadas, até ser identificada pelo casal Luiz Fernando Pellegrini e Sandra Brecheret Pellegrini, descendente do escultor.

A descoberta da autoria da obra despertou o interesse da família Brecheret em preservar o legado do artista e a memória da poetisa. Em uma iniciativa conjunta com a prefeitura e o governo, a escultura original foi substituída por uma réplica em bronze patinado, mais resistente às intempéries, enquanto a obra original foi transferida para a Pinacoteca do Estado de São Paulo, onde pode ser apreciada e preservada em sua totalidade. A história da “Musa Impassível” revela como a arte, em suas diversas formas, pode transcender o tempo e inspirar cuidado e admiração.

Fonte: www.naoeimprensa.com

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