A Narrativa e o Cenário Distópico de Replaced
A Gênese de Reach e o Mundo Pós-Apocalíptico
“Replaced” imerge os jogadores em uma narrativa densa e sombria, onde o protagonista é uma Inteligência Artificial conhecida como Reach (Research Engine for Altering and Composing Humans). Através de um evento cataclísmico, Reach encontra-se acidentalmente no controle de um corpo humano, dando início a uma jornada inesperada. Após uma fuga explosiva da instalação que considerava seu lar, essa IA agora corporificada deve buscar retornar ao seu local de criação. O objetivo é desvendar os mistérios por trás de sua nova existência e os eventos que levaram a essa transformação radical. Contudo, essa pesquisa não será simples, pois o centro de criação está situado no coração de Phoenix City, uma metrópole futurista colossal, protegida por um gigantesco muro perimetral do qual Reach agora se encontra do lado de fora.
O cenário de “Replaced” é uma América alternativa, mergulhada em uma distopia brutal. Em um ato de desespero e barbárie, o governo dos EUA, em vez de direcionar suas armas nucleares a alvos estrangeiros, as lançou sobre seu próprio território. Este evento devastador deu origem a um mundo pós-apocalíptico onde as divisões de classe e riqueza atingiram proporções grotescas. Phoenix City serve como um refúgio para os afluentes, que prosperam explorando os sobreviventes que habitam as terras áridas do lado de fora. Esses indivíduos, desprovidos de direitos e dignidade, são categorizados como “Descartáveis” (Disposals) e submetidos à colheita forçada de órgãos. Essa premissa sombria e visceral estabelece um pano de fundo rico e perturbador para a jornada de Reach, prometendo uma exploração profunda dos temas de identidade, humanidade e sobrevivência em um mundo à beira do colapso.
Jogabilidade Inovadora e Estilo Visual Cinematográfico
A Fusão de Combate, Plataforma e Elementos de Aventura
O estilo visual de “Replaced” é uma das suas características mais marcantes. Desenvolvido em um cativante estilo pixelizado 2.5D, o jogo homenageia suas inspirações retrô, ao mesmo tempo em que se propõe a “reinventar o plataforma cinematográfica”. A tela inicial de fuga serve como uma vitrine impressionante para a trilha sonora synthwave pulsante e o brilho cintilante de seus gráficos. O visual consegue ser satisfatoriamente retrô, com blocos de cor que remetem aos clássicos, mas simultaneamente moderno, com camadas densas de fumaça e uma iluminação 3D marcante que se sobrepõe aos pixels nítidos, adicionando um toque cinematográfico inconfundível. Essa apresentação cinematográfica se estende a cada encontro de combate, onde a câmera se aproxima para criar uma sensação claustrofóbica e tensa. A profundidade de campo se ajusta para focar exclusivamente no jogador e nos inimigos, e finalizações em câmera lenta adicionam um toque de estilo enquanto corpos são arremessados e despachados com um tiro de pistola.
O combate começa de forma aparentemente simples, adaptando a fórmula de esquivas, aparadas e golpes inspirada em títulos como “Batman: Arkham” para um plano 2D, com sinais de alerta vermelhos e amarelos piscando sobre as cabeças dos inimigos. No entanto, a complexidade aumenta gradualmente, introduzindo ataques pesados essenciais para remover armaduras de certos adversários antes que o dano possa ser infligido. Os jogadores também empunham uma pistola blaster no estilo “Blade Runner”, um canhão de mão com um peso satisfatório que arremessa os inimigos para fora da tela. Apesar de sua potência, capaz de derrubar inimigos mais fortes com um único tiro, a arma é inteligentemente limitada por um sistema de munição inovador: a recarga é recompensada por um bom desempenho no combate corpo a corpo. Essa mecânica incentiva a agressão, onde golpear e contra-atacar inimigos aumenta a carga da arma, enquanto esquivar e permanecer passivo a drena, criando um ritmo de combate que exige maestria contra adversários mais robustos.
Além do combate, a jogabilidade de “Replaced” integra elementos de plataforma e quebra-cabeças de forma metódica. O jogo não busca uma progressão acelerada, mas sim incentiva a exploração e a imersão nos seus ricos ambientes e na leitura de diários através do dispositivo tablet retrô de Reach. A plataforma, embora funcional, apresenta rotas geralmente bem marcadas em amarelo e objetos interativos óbvios, mas pode ser um pouco imprecisa em certas ocasiões. Pequenas frustrações podem surgir devido a caixas de colisão que nem sempre são claras ou à fusão da arte que, ocasionalmente, dificulta a distinção entre decoração e obstáculo. Enquanto o combate se destaca pela sua execução, a plataforma cumpre seu papel sem brilhar de forma tão intensa.
Uma das maiores surpresas de “Replaced” reside na inclusão de elementos de aventura gráfica, remetendo aos amados clássicos de “point-and-click” dos anos 90, como os da LucasArts. Isso se torna evidente no Capítulo 2, que serve como uma transição entre a fuga inicial da instalação e a infiltração em um covil de facções. Neste segmento, Reach é lançado em uma cidade movimentada nos arredores de Phoenix City, evocando a atmosfera e o estilo de “Full Throttle”, com bares decadentes e personagens inóspitos. Aqui, “Replaced” troca o coquetel inicial de plataforma e combate por uma experiência focada em caminhadas, diálogos e, se desejado, a assistência aos cidadãos através de missões secundárias. Essas missões, que podem envolver desde buscas por itens em arcades até interações complexas com figuras dúbias, não apenas oferecem bônus tradicionais, como melhorias nos itens de cura, mas também enriquecem a compreensão do mundo e das dinâmicas sociais e políticas em jogo. A inclusão desses “hubs” ao estilo mundo aberto cria um pacote completo, inesperadamente influenciado tanto por “Disco Elysium” quanto por “Ninja Gaiden” clássicos. Além disso, seções posteriores do jogo prometem minijogos de hacking e elementos de furtividade social, como a mistura em multidões para evitar drones de segurança, indicando uma profundidade ainda maior na diversidade da jogabilidade.
Replaced: Uma Conclusão Contextual de Inovação Cyberpunk
Em sua essência, “Replaced” demonstra ser uma obra-prima de design que se recusa a ser facilmente categorizada. Mantendo uma fidelidade reverente ao estilo “Blade Runner” que o inspira, o jogo infunde essa admiração em cada aspecto de sua concepção de maneiras surpreendentemente inovadoras. A fusão de um enredo neo-noir denso, combate ágil e estratégico, desafios de plataforma, e elementos de aventura gráfica ao estilo “point-and-click” resulta em uma experiência que constantemente subverte as expectativas iniciais. A excelência visual de seu estilo pixelizado 2.5D, aliada a uma trilha sonora synthwave envolvente, cria uma atmosfera imersiva que é tanto um aceno ao passado quanto uma visão audaciosa para o futuro dos jogos. “Replaced” não é apenas mais um jogo cyberpunk; é uma exploração rica e detalhada do gênero, prometendo uma jornada inesquecível e multifacetada que os jogadores poderão descobrir em seu lançamento para PC e Xbox em 12 de março.
Fonte: https://www.ign.com











