Ao rolar pelo Instagram, não pude deixar de notar um certo alarde em torno da chamada “santificação” de um garoto, que será concluída neste domingo, dia 7, pelo Vaticano. O nome dele é Carlo Acutis, um jovem italiano nascido em 1991 e falecido em 2006, vítima de leucemia. Conhecido por sua habilidade em informática, Carlo ficou famoso entre os católicos por catalogar milagres eucarísticos na internet. A Igreja Católica agora se prepara para torná-lo santo, chamando-o inclusive de “padroeiro da internet”.
Ao ler sobre isso, achei um absurdo completo e percebi como a Bíblia é mal interpretada por grande parte da população, ou como existem categorias dentro do cristianismo que simplesmente ignoram a Palavra de Deus e seguem a palavra dos homens. É como se estivéssemos diante de um surto coletivo, no qual o que Deus ordenou é propositalmente desprezado, e adições humanas são levadas a sério como se viessem diretamente do Senhor do Universo.
Foi diante dessa situação que decidi escrever este artigo, para expor, com base somente na Bíblia, a única Palavra de Deus, o quão errado é esse ato de santificar homens que já morreram e depois rezar para eles, adorá-los ou usá-los como intermediários.
Só existe um Santo perfeito
Na Bíblia vemos que só há um Santo perfeito: Jesus Cristo. Ele é o único mediador entre Deus e os homens (1 Timóteo 2:5) e o único digno de receber oração. Nós, humanos, nascemos em pecado (Romanos 3:23; Salmos 51:5) e, mesmo chamados a viver em santidade (1 Pedro 1:15-16), isso não nos torna santos por mérito próprio. Quando Jesus nos chama a viver em santidade, Ele está falando sobre evitarmos o pecado e buscarmos viver o máximo possível como Ele viveu. Isso não significa que nos tornamos seres intermediários ou que passamos a ter qualquer autoridade espiritual.
A santidade pertence somente a Deus. O Antigo Testamento deixa isso evidente: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Isaías 6:3). Nenhum homem jamais foi colocado na posição de santo a ponto de ser alvo de orações.
O homem continua sendo pecador
Por mais que alguém viva uma vida piedosa, ainda assim permanece pecador e jamais digno de receber culto, orações ou pedidos. “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23). Nem mesmo grandes homens da fé como Moisés, Elias, Davi ou Paulo foram adorados, ou usados como mediadores. Ao contrário, suas histórias sempre apontam para Deus e para Cristo, nunca para si.
Jesus é o único mediador
O Novo Testamento sela de uma vez por todas esta questão: “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1 Timóteo 2:5). Não há espaço para intermediários humanos após a morte. Santificar homens e transformá-los em santos padroeiros é uma distorção clara da Palavra de Deus.
Cristo mesmo declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6). Qualquer outro suposto caminho é falso.
A idolatria é rejeitada por Deus
Desde o princípio, Deus deixou claro que não aceitaria adoração a ninguém além Dele: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma… não as adorarás nem lhes darás culto” (Êxodo 20:3-5).
No Novo Testamento, vemos até anjos recusando adoração. Quando João se prostra diante de um anjo em Apocalipse 19:10, o anjo o repreende dizendo: “Olha, não faças tal! Eu sou conservo teu e de teus irmãos… adora a Deus!” Se nem os anjos aceitam adoração, como aceitar que homens falíveis sejam colocados nessa posição?
O sacrifício de Cristo rasgou o véu
Com a morte de Jesus, o véu do templo foi rasgado de alto a baixo (Mateus 27:51), simbolizando que agora temos acesso direto a Deus, sem precisar de intermediários humanos ou espirituais. O autor de Hebreus reforça: “Assim, aproximemo-nos confiadamente do trono da graça, para recebermos misericórdia” (Hebreus 4:16).
Santificar homens e recorrer a eles em oração é negar o sacrifício completo de Cristo e rejeitar o acesso que Ele mesmo nos deu ao Pai.
O juízo pertence somente a Deus
A Bíblia também ensina que após a morte não há outro papel para os homens senão aguardar o juízo: “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27). “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo” (2 Coríntios 5:10).
Ou seja, aqueles que já partiram não têm autoridade para interceder, não podem ser transformados em santos e muito menos receber orações. Todos serão julgados por Deus, assim como nós.
Bloco Extra 1: Jesus não fundou religião nem igreja institucional
Jesus não veio estabelecer uma religião ou levantar uma bandeira humana. Ele disse: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18).
A palavra igreja vem de ekklesia — assembleia de pessoas chamadas para fora. Não são prédios, catedrais ou hierarquias humanas, mas sim o corpo de Cristo: pessoas que creem e seguem a Ele.
No Antigo Testamento, Deus já havia deixado claro o que pede de nós: “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus pede de ti, senão que temas ao Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma?” (Deuteronômio 10:12).
Jesus confirma isso: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14:15). Ele não fundou religiões, mas chamou para um relacionamento direto com o Pai.
Bloco Extra 2: A idolatria religiosa e o erro repetido
O pecado da idolatria sempre perseguiu o povo de Deus. Israel fez o bezerro de ouro (Êxodo 32), adorou imagens, e foi constantemente repreendido por profetas como Jeremias (17:5) e Isaías (44:9).
Hoje, a canonização e a oração a “santos” são apenas versões modernas do mesmo erro. A Bíblia é clara: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem o meu louvor às imagens de escultura” (Isaías 42:8).
Paulo também afirma: “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador” (Romanos 1:25).
Bloco Extra 3: A vida de Jesus como evidência de que Ele não criou religião
Jesus viveu como judeu, seguindo a Torá e os costumes dados por Deus por meio de Moisés. Ele participou das festas judaicas, foi circuncidado, celebrou a Páscoa e frequentou a sinagoga.
Ele mesmo afirmou: “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir” (Mateus 5:17).
Se tivesse intenção de fundar uma religião, teria rompido com essas tradições. Mas não: Ele cumpriu a Lei e inaugurou aliança, dando acesso direto ao Pai por meio de Seu sacrifício.
Conclusão
A chamada “santificação” de homens, como Carlo Acutis, e a ideia de torná-lo “padroeiro da internet”, é uma prática completamente contrária à Bíblia. É invenção humana, uma tradição que contradiz as Escrituras e nega a suficiência de Cristo.
A verdade bíblica é clara:
Somente Deus é Santo.
Somente Jesus é o Mediador.
Somente Cristo é digno de orações.
Somente através d’Ele temos acesso ao Pai.
Homens não foram deixados responsáveis para tornar outros homens “santos” para depois receberem orações, rezas e pedidos. Jesus veio aqui para ser o único caminho até o Pai.
Se você leu até aqui e sentiu e percebeu que Jesus é o único caminho e quer o aceitar em sua vida, ou caso você já O conheceu, mas por algum motivo se afastou e está sentindo falta d’Ele, saiba que Ele está à porta. Basta você abrir e convidá-lo para entrar. Ele é seu amigo, e quer levá-lo a ter um relacionamento com o Pai, quer estar na tua vida te abençoando e trazendo alívio ao peso deste mundo.
Se você deseja conhecê-lo ou deseja uma reaproximação, vá a um lugar reservado, concentre-se em Deus, esvazie a mente, declare-se sinceramente e diga sinceramente:
“Senhor Jesus, estou aqui, humildemente te pedindo para entrar em minha vida, entra na minha casa, faz morada em mim. Eu Te recebo na minha vida como meu único Senhor e Salvador. Eu entrego minha vida a Ti e confiarei somente em Ti. Senhor Jesus, minha vida pertence a Ti. Perdoa-me pelos meus pecados e me aceita novamente. Se eu nunca te conheci ou se me afastei, hoje eu quero conhecer ou retornar, recomeçar e ter somente a Ti como meu Senhor e Salvador. Amém.”











