Se você achava que o analfabetismo funcional era exclusividade das nossas fronteiras, a recepção à participação de Finn Wolfhard e do elenco de Stranger Things no Saturday Night Live provou o contrário: a humanidade está emburrecendo em escala global. O que vimos foi o público preferindo vestir a roupa da burrice para alimentar pautas ideológicas em vez de entender o básico de uma esquete de comédia.
Na verdade, o que isso dá é medo. É a confirmação de que as novas gerações estão decaindo para níveis preocupantes de cognição.
O Desenho do Óbvio (Para quem não é porta)
Quem entende de interpretação de texto — o básico do ensino fundamental — percebeu os pontos óbvios que a militância fingiu não ver:
- O Demogorgon e o Pensamento Intrusivo: Na abertura, a piada é sobre algo que muita gente já pensou ao ver o monstro. É o mecanismo humano da quinta série: você vê um buraco enrugado em qualquer lugar e automaticamente pensa: “olha, um cu”. É exatamente esse o sentido. Sem hipocrisia: a piada está na nossa mente obscena, não no roteiro.
- A Paródia da Masculinidade Escrota: A esquete dos personagens adultos nos anos 90/2000 não era “cânone”, era uma paródia sobre encontros masculinos. É uma crítica à forma escrota como muitos homens conversam. E sim, até aquele seu amigo “desconstruíde”, da turma de história, amante das artes e espectador de BBB, fala dessa forma em grupo íntimo. A esquete expõe essa podridão, não a defende.
- O Casamento de Caleb: Ver gente associando a fala do Caleb a abuso sexual é o ápice da mediocridade. A alusão era claramente a um casamento frágil, sem diálogo, no modo automático. O personagem aborda o seu ponto de vista, em modo de defesa, culpando a esposa pelo fracasso da relação, muito comum em homens com casamentos ruins. Interpretar isso como “abuso em coma” é um esforço hercúleo para ser burro.
- O “Mistério” de Will: A piada sobre o Will ser gay foi um tapa na cara da demora da série em resolver algo que bastava simplesmente dizer. Menos drama, mais objetividade.
A Era da Explicação
Parece que hoje tudo precisa ser mastigado. Ou o povo medíocre entende e ignora para lacrar com sua militância, ou a ciência está certa sobre a nossa decadência intelectual.
Eu fico com a segunda opção. Entre a interpretação honesta e o palanque ideológico, a maioria escolheu a burrice seletiva. O problema não é o humor do SNL; o problema é que o mundo virou um grande grupo de discussão onde ninguém mais consegue interpretar um “olha, um cu” sem tentar transformar isso em um tratado sociológico de opressão.










