Um relato sobre a ausência, o documentário “Meu Pai e Qaddafi” é construído pela diretora estreante Jihan como um retrato tanto político quanto pessoal. A narrativa se aproxima dolorosamente de uma coesão singular, relatando o desaparecimento do pai da cineasta nas mãos do regime líbio do déspota Muammar Qaddafi, enquanto traça também o tumulto.
O filme, com uma abordagem sensível e íntima, explora a dor persistente da perda e o impacto duradouro da violência política em uma família. A diretora utiliza a câmera como uma extensão de sua própria busca por respostas, tecendo um mosaico de memórias, entrevistas e imagens de arquivo para reconstruir a história de seu pai e, por extensão, a história de um país marcado pelo autoritarismo.
Através de depoimentos emocionados de familiares e amigos, o documentário revela a figura de um homem que, apesar de sua ausência física, permanece presente nas lembranças e nos corações daqueles que o amavam. A diretora não se limita a apresentar os fatos brutos do desaparecimento, mas mergulha nas complexidades emocionais da situação, explorando o luto, a esperança e a busca por justiça.
“Meu Pai e Qaddafi” é um filme que transcende a esfera pessoal, tornando-se um testemunho poderoso sobre os horrores da ditadura e a importância da memória como forma de resistência. Ao dar voz àqueles que foram silenciados pelo regime, a diretora presta uma homenagem àqueles que sofreram e lutaram por um futuro melhor.
A narrativa, embora centrada na experiência particular da diretora, ressoa com a experiência de inúmeras famílias que foram vítimas de regimes autoritários em todo o mundo. O filme se destaca por sua honestidade e autenticidade, evitando o sensacionalismo e optando por uma abordagem mais contemplativa e reflexiva. Ao fazer isso, a diretora consegue criar uma obra que é ao mesmo tempo pessoal e universal, íntima e política.
Fonte: variety.com











