A comunidade musical foi profundamente tocada pela notícia do falecimento de Jon Small, uma figura central e duradoura na vida e carreira do icônico Billy Joel. O “Piano Man” expressou publicamente sua profunda dor, descrevendo a perda de Small como algo que o atingiu de uma maneira jamais experimentada, um golpe sem precedentes. Jon Small, baterista talentoso, ex-companheiro de banda e, acima de tudo, um amigo de longa data, era uma presença constante e insubstituível na jornada de Joel, desde os primeiros acordes nas garagens de Long Island até os palcos mais grandiosos do mundo. A dimensão da relação entre os dois transcende as parcerias estritamente profissionais, revelando um laço fraterno que se aprofundou ao longo de décadas, marcando a vida de Billy Joel de forma indelével e deixando um vazio imenso em seu mundo pessoal e artístico.
A Trajetória de Uma Amizade e Parceria Musical
Os Primeiros Acordes: The Hassles e Attila
Jon Small e Billy Joel se conheceram ainda na adolescência, nos vibrantes subúrbios de Long Island, Nova York, um verdadeiro caldeirão de talento musical nos anos 60. Foi nesse ambiente efervescente que a semente de uma amizade e parceria musical histórica foi plantada. Juntos, eles formaram The Hassles, uma banda de garagem com influências de rock psicodélico e R&B, que buscava seu espaço na efervescente cena musical da época. Small, com sua energia e ritmo impecáveis na bateria, era o coração pulsante do grupo, complementando a habilidade de Joel no teclado e nos vocais e contribuindo significativamente para a sonoridade característica da banda. A banda lançou dois álbuns, “The Hassles” (1967) e “Hour of the Wolf” (1969), ganhando alguma notoriedade local e abrindo caminho para uma jornada mais ambiciosa na indústria musical, ainda que com desafios consideráveis.
Após a dissolução de The Hassles, Joel e Small não se separaram musicalmente, demonstrando a força de seu vínculo. Impulsionados por uma visão artística diferente e pelo desejo de explorar novas fronteiras sonoras, eles embarcaram em um projeto mais experimental e pesado: Attila. Com uma formação minimalista de apenas dois membros, Joel no órgão e Small na bateria, a dupla explorou sonoridades de hard rock progressivo, uma proposta ousada e vanguardista para a época. O único álbum da banda, lançado em 1970, pode não ter alcançado o sucesso comercial imediato, mas representou um período crucial de experimentação artística e camaradagem intensa. Essas experiências formativas, repletas de desafios e sonhos compartilhados, cimentaram não apenas sua colaboração profissional, mas também uma irmandade que resistiria ao teste do tempo e às constantes transformações da indústria musical. A cada riff e batida, eles construíam a base de um relacionamento que seria fundamental para ambos, forjando uma conexão que perduraria muito além das notas musicais.
Além dos Palcos: O Vínculo Pessoal e Profissional
De Músico a Diretor Musical e Amigo Íntimo
Mesmo com Billy Joel seguindo em uma carreira solo estratosférica que o consagraria como um dos maiores compositores e performers de sua geração, o elo com Jon Small permaneceu inabalável. Small, embora não estivesse mais em uma banda com Joel, continuou a desempenhar um papel crucial nos bastidores e, de forma ainda mais significativa, na vida pessoal do amigo. Ele transitou de baterista para diretor musical, produtor e diretor de vídeo, participando ativamente de diversos projetos importantes na discografia e na jornada artística de Joel. Sua visão criativa apurada e seu entendimento íntimo da música e da personalidade de Billy foram ativos inestimáveis para a produção de clipes icônicos e shows memoráveis, garantindo que a essência artística de Joel fosse sempre capturada e transmitida com a máxima autenticidade e impacto visual.
Mais do que um colaborador profissional, Jon Small era um confidente e um pilar de apoio constante, uma âncora em meio às tempestades e euforias da fama. A descrição de Small como “como um irmão” por Joel não é apenas uma figura de linguagem; reflete décadas de momentos compartilhados, desde as lutas financeiras da juventude e os primeiros passos na música até os picos da fama internacional. Small esteve presente nos triunfos e nas adversidades, oferecendo perspectiva, lealdade incondicional e uma amizade genuína, características raras e preciosas no mundo volátil e muitas vezes efêmero do entretenimento. Ele era uma ponte para o passado de Joel, um lembrete constante de suas raízes humildes e da simplicidade dos dias antes do estrelato global. Essa parceria evoluiu para uma irmandade profunda, onde a confiança mútua e o respeito eram os alicerces, permitindo que Billy Joel tivesse um refúgio seguro e uma voz amiga em meio às crescentes pressões e exigências da vida pública.
O Legado de Jon Small e o Impacto na Vida de Billy Joel
A partida de Jon Small representa para Billy Joel não apenas a perda de um amigo insubstituível, mas o encerramento de um capítulo fundamental e definidor em sua própria história pessoal e artística. Small deixa um legado multifacetado e duradouro: ele foi um baterista talentoso que ajudou a moldar os sons iniciais da carreira de Joel, um diretor criativo que soube traduzir sua música para o universo visual de forma brilhante e, acima de tudo, um ser humano cuja lealdade inabalável e amizade verdadeira foram um farol constante. O lamento público de Joel, de que a perda “o atingiu de uma maneira que nunca experimentou”, sublinha a singularidade e a profundidade desse laço que se estendeu por mais de meio século. É um testemunho poderoso da irmandade que transcende o tempo, a fama e as convenções da indústria musical. Jon Small pode ter partido, mas a marca indelével de sua presença na vida e na obra de Billy Joel, e a memória viva de sua amizade, continuarão a ecoar, lembrando a todos a importância dos laços humanos que nos moldam e que enriquecem nossas jornadas de forma imensurável.
Fonte: https://www.rollingstone.com














