Kelissa Lança ‘The Good Side of Things’, Seu Primeiro Álbum em Quase uma Década

Após nove anos de expectativa desde o aclamado álbum de estreia “Spellbound”, a renomada artista de reggae Kelissa retorna ao cenário musical com “The Good Side of Things”. Este novo trabalho, que emerge de um período de profundas transformações pessoais e evoluções na indústria, apresenta uma coleção de faixas que celebram a resiliência, a fé e o otimismo. Irmã do vencedor do Grammy Keznamdi e parceira do também indicado ao Grammy Chronixx, Kelissa forjou este disco em meio a uma jornada de autodescoberta, consolidando sua identidade artística. O álbum não é apenas um retorno, mas uma declaração sonora, refletindo a maturidade de uma artista que se dedicou a criar a música que “queria e precisava”, conforme suas próprias palavras, marcando uma nova era em sua carreira.

A Jornada Criativa e a Essência do Álbum

O Processo de Criação e a Sonoridade Intencional

O desenvolvimento de “The Good Side of Things” foi um processo meticuloso que se estendeu por anos, resultando em uma coleção cuidadosamente curada de canções. Kelissa explica que, embora tenha explorado diversos gêneros, a combinação final de faixas representava o que considerava mais essencial no momento. A criação deste álbum foi, para a artista, um processo profundamente curativo. Ela enfatiza a importância de esculpir uma sonoridade coesa para um álbum, rejeitando a ideia de uma mera compilação aleatória de músicas. Apesar da diversidade sonora presente, o objetivo era alcançar uma unidade, e essa busca por um som singular foi o que demandou tempo e dedicação.

Impregnado de fé e otimismo conquistados com esforço, “The Good Side of Things” mescla a base roots reggae de Kelissa com sua paixão pela world music e suas letras poeticamente distintivas. A faixa de abertura, “Cut & Clear”, exemplifica essa fusão com um instrumental terroso e acentuado por instrumentos de sopro. A artista descreve a expressão “cut and clear” como uma prática agrícola jamaicana de purificar a terra, simbolizando a purificação do espaço no início do projeto. Já “Jah Odo (Jah Love)” entrega um ritmo vibrante, enriquecido por metais. “Trying” se destaca como uma reimaginação emotiva de uma canção original escrita e interpretada por sua mãe uma década antes, sublinhando a importância da herança e da linhagem na música reggae. O título do álbum, “The Good Side of Things”, originou-se da canção “Uneasy” e encapsula a mensagem de resiliência e a capacidade de focar no positivo diante da adversidade.

Influências, Legado e Reflexões Pessoais

Família, Pandemia e a Construção de um Catálogo Duradouro

A profunda conexão de Kelissa com o universo musical é inegável, sendo filha de Errol “Jakmandora” McDonald e Kerida “Goldilocks” Scott, líderes da banda de reggae Chakula. Essa herança familiar é um pilar em sua carreira. Em 2019, antes deste lançamento, Kelissa colaborou com Shacia Päyne no projeto “Anbessa World”, uma mixtape que desafiava gêneros e, de certa forma, a ajudou a entrar em um novo espaço de liberdade criativa, sem as pressões de uma produção para plataformas de streaming. Esse projeto chegou apenas oito meses após o nascimento de sua filha com Chronixx, período em que a artista se dedicou à vida familiar e à meticulosa construção de um álbum que refletisse genuinamente o estado de seu coração e mente.

Nos anos que se seguiram, Kelissa trabalhou em “The Good Side of Things” ao lado de Chronixx, que co-produziu e co-escreveu várias canções do álbum, enquanto ele também desenvolvia seu aclamado LP “Exile”. Adicionalmente, ela participou de “Blxxd & Fyah”, de Keznamdi, álbum que ganhou o Grammy de melhor álbum de reggae. A pandemia global e seus isolamentos forçaram uma introspecção profunda, fazendo com que a artista refletisse sobre o que realmente importava e o valor da propriedade intelectual na música. Kelissa enfatiza que a construção de um catálogo próprio é um legado, não apenas um meio de ganhos financeiros imediatos, mas uma herança para seus filhos. Ela destaca Skyline Studios, um local com uma energia singular e rica história na Jamaica – conhecido como Reggae Mountain – como um de seus espaços preferidos para a criação, onde a conexão com a natureza e as memórias de infância se entrelaçam com a inspiração musical. Diferente de trabalhos anteriores que focavam em canções de amor, este álbum busca oferecer uma mensagem edificante, refletindo uma necessidade pessoal e global por música que eleve o espírito.

Perspectivas Futuras e o Verdadeiro Valor da Música

Com o lançamento de “The Good Side of Things”, Kelissa se prepara para um retorno aos palcos, embora com uma abordagem estratégica. Ela planeja priorizar a expansão de seu catálogo musical antes de se dedicar intensamente a turnês, uma decisão que reflete o aprendizado de experiências passadas, onde a intensa atividade de shows por vezes dificultava a criação de novas músicas. A artista considera a performance um dos aspectos mais gratificantes de sua carreira, mas acredita que a construção de um corpo de trabalho sólido trará maiores recompensas a longo prazo. Observar o irmão, Keznamdi, receber um Grammy foi motivo de imenso orgulho para Kelissa, que testemunhou sua jornada de dedicação, trabalho árduo e independência. Ela ressalta a importância de desmistificar a percepção de um privilégio de berço, enfatizando o empenho de Keznamdi em curar uma sonoridade específica e aprimorar sua música continuamente.

Para Kelissa, a conquista de um Grammy não é o objetivo principal de seu novo projeto, mas sim um bônus. Como ela canta em “Call Me”, “Não preciso ganhar um prêmio para saber que seu amor é tudo o que quero”, uma frase que encapsula sua filosofia. Os prêmios, embora úteis para a movimentação global de artistas, especialmente para aqueles com passaporte jamaicano, não são o propósito final de sua arte. Sua paixão reside em “curar os momentos da vida” através da música. Atualmente, Kelissa encontra inspiração em leituras como “Hábitos Atômicos” de James Clear, acompanha o time de futebol Arsenal e absorve a música de artistas como Oumou Sangaré do Mali, Bob Marley, Emahoy Tsege Mariam Gebru da Etiópia, Akofa Akoussah do Togo, além dos trabalhos de Chronixx e Keznamdi. Ela também expressa satisfação em desfrutar de seu próprio projeto, consolidando seu lugar como uma das vozes mais distintas e etéreas do reggae contemporâneo.

Fonte: https://www.billboard.com

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Outros Artigos

Edit Template

© 2026 Polymathes | Todos os Direitos Reservados