Há quase dez anos, a cineasta argentina María Silvia Esteve, conhecida por “Silvia”, assistia televisão quando se deparou com o relato de uma mulher lutando por justiça contra um padre acusado de abusar sexualmente dela e de outras pessoas por anos. A mulher se chamava Mailin Gobbo. Esteve sentiu naquele momento que Gobbo era a pessoa ideal para ajudá-la a contar uma história que precisava ser ouvida.
O caso, que ganhou notoriedade, expôs uma rede de abusos e, segundo a cineasta, revelou uma estrutura interna na Igreja Católica dedicada a proteger o perpetrador. Esteve se sentiu compelida a mergulhar na história de Mailin e a investigar as complexidades de um sistema que, em vez de proteger as vítimas, optava por encobrir os crimes e blindar os abusadores.
A gravidade das acusações e a aparente impunidade do sacerdote levaram a cineasta a aprofundar sua pesquisa, buscando entender como uma situação dessas pôde persistir por tanto tempo. A análise de documentos, entrevistas com pessoas ligadas ao caso e o acompanhamento da trajetória de Mailin em busca de justiça, revelaram um panorama sombrio de poder eclesiástico e silenciamento das vítimas.
A história de Mailin, para Esteve, era um exemplo emblemático de muitos outros casos de abuso sexual dentro da Igreja. A cineasta acreditava que era crucial dar voz a essas histórias e expor os mecanismos que permitiam que esses crimes continuassem acontecendo. O objetivo era provocar uma reflexão profunda sobre a responsabilidade da Igreja e a necessidade de reformas para garantir a segurança das crianças e adultos vulneráveis.
A experiência de acompanhar Mailin em sua busca por justiça permitiu a Esteve constatar a força e a resiliência da vítima, mas também a persistência de um sistema que tentava impedir a verdade de vir à tona. A cineasta espera que o projeto ajude a lançar luz sobre este caso e incentive outras vítimas a denunciarem os abusos, quebrando o ciclo de silêncio e impunidade.
Fonte: variety.com











