Stranger Than Heaven, o aguardado título prequel da aclamada franquia Like a Dragon (anteriormente conhecida como Yakuza), promete introduzir uma reviravolta significativa em seu sistema de combate, desafiando até mesmo os jogadores mais experientes. Apresentado em um evento recente em Xangai, a demonstração do jogo revelou um estilo de luta que, à primeira vista, parece ser notavelmente mais difícil e exigente do que as iterações anteriores. Longe de ser uma simples atualização, o novo design sugere uma profunda reformulação das mecânicas de combate corpo a corpo, buscando um realismo e uma profundidade tática que podem revitalizar a fórmula tradicional da série. Esta abordagem visa proporcionar uma experiência mais visceral e gratificante, marcando um novo capítulo para a renomada desenvolvedora RGG Studio e consolidando Stranger Than Heaven como um título com identidade própria.
A Revolução no Combate Corpo a Corpo
Dificuldade Elevada e Mecânicas Inovadoras
O coração da experiência de Stranger Than Heaven reside em seu sistema de combate totalmente reformulado, que se distancia da repetição de combos dos títulos passados. Os primeiros contatos com o novo estilo de combate corpo a corpo revelaram-se desafiadores, exigindo uma curva de aprendizado íngreme. Diferente das aventuras anteriores, onde a exaustão dos oponentes muitas vezes se resumia a apertar botões, os inimigos em Stranger Than Heaven são capazes de sobrepujar rapidamente o protagonista, Makoto Daito, caso o jogador não demonstre atenção plena e estratégia. Este cenário aponta para uma elevação substancial na dificuldade, transformando cada confronto em uma batalha calculada.
A inovação mais notável reside no novo esquema de controle, que utiliza os quatro botões de ombro do controle para manipular de forma eficaz os punhos esquerdo e direito de Makoto. Essa configuração requer não apenas a alternância suave dos golpes, mas também a antecipação precisa da direção dos ataques inimigos para um aparo eficiente. A maestria desse sistema leva tempo, mas, uma vez que o jogador encontra o ritmo, a sensação de realizar movimentos complexos e eficazes é imensamente satisfatória. Cada vitória parece conquistada com mérito, em contraste com a brutalidade mais simplista de jogos anteriores da série Yakuza e Like a Dragon. Este modelo de combate se apresenta como a forma mais fundamentada e realista de luta de rua já concebida pela RGG Studio, lembrando a brutalidade controlada de sistemas de combate mais elaborados, mas oferecendo um controle mais direto sobre as ações do personagem.
Um exemplo notável da profundidade do sistema é a capacidade de Makoto de operar de forma independente com as duas mãos durante um combate. Em uma situação de múltiplos agressores, por exemplo, o protagonista pode empunhar um pé de cabra com a mão direita e, ao ter a arma agarrada por um inimigo em um cabo de guerra temporário, ainda manter o controle total da mão esquerda. Isso permite que ele lance golpes contra um segundo atacante que tenta flanqueá-lo. Na sequência, Makoto pode agarrar o segundo agressor e golpeá-lo contra o primeiro, neutralizando ambos e permitindo que ele retome o uso do pé de cabra. Essa mecânica demonstra um nível de interação e dinamismo no combate que é inédito, elevando a complexidade e a imersão da jogabilidade.
Desafios e Potenciais Ajustes Antes do Lançamento
Pontos de Refinamento e Outras Inovações Além do Combate
Apesar da promessa e do entusiasmo gerados pelo novo sistema de combate, a versão atual de Stranger Than Heaven não está isenta de pontos a serem refinados. Observou-se que o sistema de mira suave (soft lock-on) que alinha Makoto com os oponentes pode ocasionalmente falhar, resultando em ataques desferidos na direção errada e deixando o protagonista vulnerável a golpes pela retaguarda. Além disso, embora a sensação geral de peso em cada golpe seja apreciada, alguns ataques carregados com armas mais pesadas pareceram um tanto lentos demais. Contudo, com o lançamento de Stranger Than Heaven previsto apenas para o início de 2027, há tempo suficiente para a RGG Studio realizar os ajustes e polimentos necessários para otimizar essas mecânicas.
A ambição de Stranger Than Heaven parece estender-se para além do combate. Há expectativas de que a RGG Studio esteja buscando inovar em outras áreas da aventura. Por exemplo, um recurso de gravação de áudio que permite a Makoto coletar amostras sonoras do mundo ao seu redor e convertê-las em composições musicais soa promissor. Essa funcionalidade, potencialmente mais envolvente do que os minijogos de karaokê baseados em ritmo reciclados desde Yakuza 3, sugere uma exploração mais profunda da interatividade com o ambiente do jogo. Dada a ambientação do título, que abrange o período de 1915 a 1965, é natural que as atividades secundárias tradicionais, como os clubes de arcades modernos, sejam substituídas por opções historicamente apropriadas.
Há especulações sobre a inclusão de minijogos como queda de braço e fliperamas de pachinko antigos. A linha do tempo de cinco décadas da história de Stranger Than Heaven levanta a questão de como essas atividades secundárias podem evoluir e se adaptar a cada salto temporal e às mudanças nos cinco cenários urbanos. Por exemplo, quando a narrativa chegar a Shinjuku em 1965, é plausível que os jogadores possam experimentar versões virtuais das diversões eletromecânicas que a própria Sega, notoriamente, foi pioneira durante essa década. Essa adaptabilidade temporal pode adicionar uma camada de imersão e autenticidade ao mundo do jogo, demonstrando um compromisso com a reinvenção do conteúdo secundário.
Ambição, Identidade e o Futuro da Franquia
A impressão geral do sistema de combate mais desafiador de Stranger Than Heaven é amplamente positiva. Essa reformulação dramática inspira otimismo de que o combate não será a única área da aventura onde os desenvolvedores da RGG Studio estão apostando alto. Há uma esperança considerável de que este título represente a oportunidade perfeita para a equipe redefinir todos os aspectos do template estabelecido da série Like a Dragon, desde o design de missões até a natureza interativa de seu mundo e os métodos de exploração. A proposta é clara: Stranger Than Heaven busca solidificar sua própria identidade dentro do universo da franquia, distanciando-se de ser meramente uma versão antiga dos jogos Yakuza.
Ainda assim, a inclusão de Tupac no jogo é um elemento que tem gerado discussões. Enquanto a presença de figuras como Snoop Dogg em diversas mídias é amplamente aceita, a ressurreição digital de Tupac Shakur em um videogame de 2027, sem um contexto aparente claro, é percebida como uma escolha peculiar. Independentemente de opiniões sobre a representação digital de figuras falecidas, esse detalhe não deve ofuscar a experiência central. Apesar de elementos que possam parecer intrigantes, a promessa de um sistema de combate revigorado e a ambição de redefinir outros aspectos da jogabilidade são suficientes para manter o entusiasmo elevado. Stranger Than Heaven, com sua determinação em estabelecer uma identidade única, está posicionado para ser um testemunho da evolução e da força criativa da RGG Studio, prometendo uma experiência que vai muito além de um simples spin-off.
Fonte: https://www.ign.com














