Médico, professor, escritor, pacifista e adora drones. Por que Augusto Cury não é um bom candidato.

O debate presidencial da Rede Bandeirantes na última semana foi um verdadeiro divisor de águas, marcado de cara pela ausência dos candidatos mais populares do país. Nesse vácuo, dois nomes assumiram o protagonismo. De um lado, Renan Santos expôs sua justificada indignação, criticando duramente aqueles que desrespeitaram o eleitor ao fugirem do embate. Do outro, Augusto Cury adotou a postura do pacificador assustado. A cada oportunidade, Cury se dizia “aterrorizado” com a agressividade de Renan Santos perante as pautas levantadas e com a forte oposição apresentada por ele, vendendo um plano de governo baseado no diálogo utópico para unir os extremos.

O resultado? Um “boom” instantâneo nas redes sociais. A enxurrada da campanha “meu voto é 70” escancarou duas realidades do Brasil atual: a população está exausta e desesperada por uma alternativa à polarização entre Lula e Bolsonaro, mas ainda sofre de uma profunda carência de letramento político. Bastou um discurso raso ao estilo Imagine, do John Lennon, sem qualquer proposta prática, para que influenciadores passassem a endeusar o candidato.
​A ilusão durou pouco para quem analisa a política com o mínimo de ceticismo. Nas sabatinas da GloboNews e do Jornal Nacional, o verniz intelectual derreteu. Ao ser confrontado com temas cruciais da máquina pública, dívida, PIB, ICMS. Cury tropeçou no próprio desconhecimento. A superficialidade ficou ainda mais gritante no improviso desastroso sobre o uso de “drones policiais” para combater a violência contra a mulher. Faltou plano concreto, sobrou nervosismo.

O perigo mora justamente aí: o desespero por mudança faz com que formadores de opinião comprem narrativas de “bom moço”, arrastando uma massa de eleitores para uma armadilha embalada em discursos de centro.
​Politicamente falando, a indefinição desse chamado centro não é uma solução, mas um problema crônico que precisa ser extirpado. É inegável que o currículo de Cury como médico e professor é admirável e superior ao dos últimos ocupantes do Planalto. No entanto, o Brasil não precisa apenas de um bom profissional; precisa de um político de verdade. Não a esquerda manchada pela corrupção, não o bolsonarismo adoecido que se diz de direita, e muito menos alguém que se torne refém do centrão.
​O país exige uma liderança com propostas estruturadas em estudos, que tenha estatísticas na ponta da língua e não gagueje diante da realidade brasileira. O crime organizado não se combate com convites ao diálogo; exige enfrentamento por alguém que não tenha o rabo preso com facções. Essa verdadeira terceira via não surgiu ontem. Ela existe desde 2014, tem um livro de propostas concretas muito antes de virar partido e deixou entrevistadores como César Tralli e Renata Vasconcelos no chinelo, sem precisar recorrer a mentiras. Essa via se chama Renan Santos, e a solução é 14.

​Isso acaba expondo o meu posicionamento, mas em consonância com o tema deste meu texto, é exatamente esse o ponto. Meu posicionamento não se baseia em populismo, e sim em um acompanhamento de mais de 10 anos do movimento e na leitura completa do plano de governo mais sólido que já vi. Sem contar que, ao ser questionado sobre seus planos, Renan Santos simplesmente responde, sem precisar de cola ou de rodeios. Direto e reto, doa a quem doer. Isso é ser convicto. Isso é ser político.

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